Segundo um socioeducador da unidade de Toledo ouvido pela reportagem, Fábio Bellon, os problemas com a Unidade de Toledo não são diferentes das demais 18 unidades espalhadas pelo Paraná que aderiram ao movimento. Mas apesar de todos os problemas enfrentados pelos servidores da área, ele enfatiza que a principal luta é para defender a pauta de reivindicações. "Se a gente fosse falar de toda a negligência do Estado com as demandas do Cense ficaríamos horas conversando", garante.
A greve foi deflagrada após a Secretária da Família e Desenvolvimento Social do Governo do Estado não responder uma carta de notificação enviada 72 horas antes do início da greve. Neste momento são mais de 650 servidores que trabalham nos Censes e nas Casas de Semiliberdade paralisados. Segundo o documento enviado pelos servidores à Secretária são 18 meses que os servidores vem reivindicando melhorias na condições de trabalho, porém, sem sucesso.
A pauta
As principais reivindicações dos grevistas são que o Plano de Cargo de Agente de Segurança de Sócioeducador, já aprovado pela Secretaria da Família, seja enviado para a Assembleia Legislativa. A reclamação dos grevistas é que o governo parece não ter interesse de apressar o envio do Plano para o Legislativo do Estado.
A notificação do indicativo de greve lembra que quando a própria Secretária da Família - que é comandada pela esposa do Governador, Fernanda Richa - foi criada, o governo Richa pediu que o legislativo aprovasse com urgência a criação da Secretaria.
Outros pontos são: A criação de um seguro de vida para os servidores; assistência jurídica e seguro para caso de acidentes envolvendo veículos do Cense; reajuste das gratificações em 14,79%; e concursos públicos para repor e aumentar o número de servidores; Implantação de auxilio transporte, auxilio alimentação; Implantação de escala alternativa e melhora na segurança nas casas de semi-liberdades, unidades de internação e Cense.
Ações do Governo não foram suficientes
A Secretaria da Família anunciou neste mês de Julho a contratação de 411 novos educadores sociais para trabalhar no sistema de socioeducadores. Também havia garantido que ampliaria a frota de veículos da Cense e contrataria motoristas para o transporte e atendimento às unidades.
Porém, segundo Bellon, os novos funcionários não tem experiência nem terão treinamento prévio adequado antes de entrar nas unidades. A categoria defende que seja aberto um concurso público para repor e aumentar o número de servidores.
Falta de segurança
Outro ponto de reivindicação é a melhora da segurança nas casas de semi-liberdades, unidades de internação e Cense. Segundo a carta de notificação, em todo o Paraná, servidores vem sendo alvo de sequêstros, assédios e violência em várias unidades do Paraná. Muito disso pela falta de policiamento nas unidades e nas escoltas dos jovens quando estes precisam ir em audiências responder pelos seus atos. Em Toledo, segundo Bellon, apenas um Policial Militar fica presente no Centro, número considerado insuficiente.
"Existe locais no Paraná que a situação é pior, mas um PM apenas para nos dar segurança não é o suficiente", finaliza.
Por Maurício de Olinda
Socioeducadores estão em greve e reabilitação de jovens infratores fica comprometida
Os educadores dos Centros de Sócioeducação (Cense) entraram em greve no último sábado (28). Os servidores permanecem parados por tempo indeterminado em todo o Paraná, até que o Estado negocie suas reivindicações. Os 22 socioeducadores que atuam na unidade do Cense de Toledo também estão parados. Apenas serviços básicos obrigatórios pela lei serão mantidos, como a alimentação aos jovens detentos. Enquanto a greve for mantida, os internados permaneceram trancados em suas celas. Aulas, cursos, audiências e outras atividades que os socioeducadores praticavam estão cessadas. Na unidade de Toledo são 30 garotos internados.
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